Era
uma vez...
Ao longe já podemos ver, mais
do que isto, sentir. Ela não está mais lá. Suas imponentes
torres não mais desafiam os deuses, suas escuras paredes não fazem
mais sombra. Apenas o vento sopra, afinal, agora pode correr livre, não
encontra mais uma barreira. As Sanguinárias perderam algumas dezenas
de metros, porém apenas alguns poucos notarão. No topo da estrada,
onde uma vez já estivera a Casa do Necromante, morada do grande Lúcius
Balttimore Devender, que dizem as lendas ser o fruto do amor proibido de Tenebra
e Khalmyr. Quem viu seu olhar não mais teme as trevas, vê através
dela. Quem já o ouviu diz que a voz não chega aos ouvidos, passa
diretamente aos sentidos. Uma lenda de magia e pedra, desfeita como um campo
que queima. No chão há apenas um gigantesco pentagrama, e de alguma
forma, você se sente observado. A sua frente apenas o vazio do céu,
mas sobre a única árvore do local, há um vulto.
Mais rápido do que um arrepio, ela está ao seu lado. Belíssima,
de cabelos negros e olhar cor da noite mais escura. Traja inteiramente preto,
roupas de camponeses, mas algo em sua presença diz que é muito
mais. É divina. Ela sorri para você e morde uma pequena maçã,
vermelha como sangue.
- O que buscas, nobre guerreiro? Respostas para perguntas que ainda nem foram
feitas? Paz para um coração que vê sentido na guerra? O
homem que aqui vivia se foi. Não está mais neste mundo atormentado.
Ascendeu, está mais perto do olhar de sua mãe. Contudo, não
se preocupe. Ele deixou um bilhete, e pediu para que eu ficasse encarregada
de entrega-lo. Tome.
A mulher de face branca como a neve das estepes lhe estende um pergaminho, escrito
com uma caligrafia impecável:
"Irmão,
Se lês isto é por que já sabes da verdade, ou pelo menos
uma parte dela. Como bem vês a Casa do Necromante como conhecias não
existe mais, apenas pó sobrou do que um dia foi grandiosidade. Todavia,
sempre informei que este lugar era apenas provisório, utilizado apenas
para uma fuga desesperada de um criatura denominada Arsenal. Agora, não
mais preciso me esconder, pois minhas preces foram atendidas. Não tenhas
medo bom amigo, e siga os caminhos do vento..."
Quando você levanta sua cabeça novamente,
a mulher não está mais ao seu lado. No lugar dela há uma
cesta, repleta de maçãs, vermelhas. Olhando a volta você
percebe que no centro da estrela há uma escada, e uma rajada de vento
passa por seus cabelos. A poeira levantada corre em direção ao
céu, e uma voz doce e suave lhe chama, dizendo:
"Eu gosto de dar presentes."
Comendo uma maça, você começa
a subir os degraus. Os sonhos vão ficando para trás, e a realidade
gira em um turbilhão de mil cores e sons. Sentado a sua frente, numa
cadeira belíssima, incrustada com crânios e rubis, há um
homem de óculos, que lhe estende a mão...
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